Escoliose e deformidades na coluna
A escoliose é uma alteração na curvatura da coluna, que faz com que ela se incline para o lado, formando um S ou um C. Embora possa acontecer em qualquer região da espinha dorsal, é mais comum que essa deformidade ocorra nas regiões torácicas (meio das costas) e lombar (parte inferior das costas).
Pessoas de qualquer idade podem apresentar essa condição, porém ela é mais comum durante a adolescência, entre os 10 e 18 anos. Nesse período, ela recebe o nome de escoliose idiopática do adolescente (EIA), pois, geralmente, sua causa é desconhecida.
Entre crianças, dos 4 aos 10 anos, a escoliose também pode ser bastante comum.
Já entre os adultos, o problema recebe o nome de escoliose degenerativa e costuma se manifestar após os 50 anos de idade, em virtude do envelhecimento da coluna. No caso dos adultos, o grande responsável pela escoliose é o desgaste natural das articulações e dos discos intervertebrais.
Quando essa doença se manifesta, o paciente apresenta dor nas costas, sensação de desequilíbrio, diferença na altura dos ombros ou quadris, além da característica mudança na postura. É possível ainda que, em casos mais severos, a pessoa tenha dificuldade para respirar, uma vez que a condição pode comprimir a caixa torácica.
A importância de um tratamento correto e precoce
O diagnóstico da escoliose não é difícil, a alteração na postura e o desnivelamento dos ombros podem ser notados facilmente. Ainda assim, o diagnóstico dessa doença começa com uma avaliação clínica, na qual o especialista pode analisar o alinhamento da coluna.
O segundo passo é a radiografia, que permite medir o ângulo da curvatura. É importante destacar que um desalinhamento de até 10 graus é absolutamente normal e não exige nenhum tipo de tratamento. Porém, caso seja superior, torna-se necessário fazer o acompanhamento junto ao médico. Em casos de dor intensa, pode ser necessário, ainda, realizar uma ressonância magnética ou tomografia. Esses exames são importantes, principalmente, para identificar se há outras alterações associadas.
Iniciar essa investigação precocemente é essencial para definir, junto ao especialista, o tratamento adequado e evitar a progressão da deformidade, o que se torna ainda mais importante no caso de crianças e adolescentes.
Tratamento conservador
x Tratamento cirúrgico
O diagnóstico precoce da escoliose pode evitar que a doença se torne um caso cirúrgico. Isso porque existem diversas alternativas de tratamentos conservadores que apresentam ótimos resultados, quando iniciados ainda no começo da condição.
Fatores como grau da curvatura, idade do paciente, sintomas e causas precisam ser analisados na hora de definir qual o melhor tratamento para cada caso. Ainda assim, em pacientes que apresentam um quadro leve ou moderado de escoliose, sessões de fisioterapia, reeducação postural global (RPG) e coletes ortopédicos podem ser bastante eficientes para corrigir a deformidade.
Para casos de desvios acentuados, que causam dor persistente e compressão nervosa limitante, o tratamento cirúrgico se torna a melhor opção. O procedimento recebe o nome de artrodese e consiste em fazer a fusão óssea, utilizando estruturas metálicas, que dão estabilidade à coluna, corrigem a curvatura e, assim, restabelecem o equilíbrio corporal.
Cirurgia de escoliose
em adultos
A cirurgia de escoliose em adultos pode ser mais complexa do que em adolescentes, devido às comorbidades e também à degeneração e desgaste dos ossos. Enquanto em adolescentes o procedimento é realizado com o intuito principal de evitar a progressão da deformidade, em pessoas com mais idade o objetivo é devolver a qualidade de vida, aliviando dores e devolvendo a mobilidade, bem como a qualidade de vida.
O tratamento precisa ser analisado de forma individualizada e muito bem planejado junto a um especialista, que irá definir a melhor técnica de artrodese: ALIF, XLIF ou PLIF. É sempre bom lembrar que, com o avanço da medicina, o procedimento é minimamente invasivo, o que significa que expõe o paciente a menos riscos de complicações, causa menos dor e possibilita uma recuperação mais rápida.
Cirurgia de deformidades complexas
Diversos tipos de deformidades podem afetar a coluna, causando uma série de limitações e incômodos. Além disso, há pessoas que apresentam quadros mais complexos, ou seja, curvaturas muito acentuadas, rigidez mais intensa ou até sequelas de cirurgias anteriores.
Esse tipo de quadro exige o acompanhamento junto a um profissional experiente e, muitas vezes, o suporte multidisciplinar (com cardiologistas e neurologistas, por exemplo), a fim de oferecer ao paciente um tratamento cirúrgico adequado e seguro.
É comum que o procedimento envolva mais de uma técnica, como a artrodese (fusão de vértebras) e a osteotomia (remoção de fragmentos ósseos). Além disso, pode ser necessário envolver abordagens duplas com acesso posterior e anterior à coluna.
Outras deformidades
Além da escoliose, outras deformidades podem afetar o alinhamento da coluna, causar dor e impactar a qualidade de vida. Conheça algumas delas a seguir:
Cifose: essa é uma curvatura excessiva para frente da coluna torácica, formando a chamada “corcunda”. Causa dor, rigidez e aparência curvada.
Cifoescoliose: por se tratar da combinação da cifose com a escoliose, é uma condição mais complexa, que precisa ser acompanhada de perto por um especialista.
Lordose: é o aumento acentuado da curvatura na região lombar ou cervical. Quando essa condição é muito acentuada, pode causar dor e compressão dos nervos – nesse caso, ela recebe o nome de hiperlordose.
Espondilolistese: ocorre quando uma vértebra escorrega sobre a outra abaixo dela, causando o desalinhamento da coluna, além de dor nas costas, dormência, formigamento e outros sintomas.
Desalinhamento sagital degenerativo: é um desalinhamento que causa a inclinação da coluna para a frente, normalmente por conta do envelhecimento e desgaste dos discos intervertebrais.
O que esperar de uma cirurgia de
correção de deformidade da coluna?
Para que a cirurgia de correção da coluna seja considerada um sucesso, o paciente deve tomar uma série de cuidados antes e, especialmente, após o procedimento. Por se tratar de uma operação em uma região extremamente delicada, o pós-operatório exige muito comprometimento com as recomendações médicas.
O repouso é uma das partes mais importantes do período pós-cirúrgico, bem como a fisioterapia. O retorno a algumas atividades pode levar até um mês e, ainda assim, alguns movimentos e atividades se manterão proibidos até a completa recuperação e consolidação óssea, que costuma ocorrer entre seis e 12 meses.
Um ponto importante é que nem sempre é possível corrigir 100% da curvatura por meio da cirurgia (chamada de artrodese). Isso porque o objetivo principal é fazer uma correção segura para a medula espinhal.
Ainda assim, o paciente irá perceber uma melhora significativa na postura, alívio da dor e mais facilidade para realizar as atividades diárias.
Além disso, a cirurgia irá evitar a progressão da doença – evitando problemas respiratórios, cardíacos e neurológicos – e devolver a qualidade de vida ao paciente.
Não espere sua condição se agravar para buscar ajuda médica. Se os sintomas da escoliose são familiares para você, agende uma avaliação para iniciar um tratamento adequado o quanto antes.
Você tem algum problema na coluna?
Vamos investigar a origem dos sintomas e tratarmos a sua condição de forma personalizada e efetiva!
Dr. João Gabriel Belegante Scalabrin
CRM-PR 44008 | RQE 32814 | TEOT 19556
Cirurgia da Coluna